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OS DESAFIOS DA ASSISTÊNCIA SOCIAL

Assistência Social X Assistencialismo

        Um dos grandes desafios desta política é o rompimento com as práticas assistencialistas, paternalistas, centralizadores e de interesse particular. A doação, a caridade, a troca de favores "políticos" e a resolução dos problemas de forma isolada das outras políticas visam somente o interesse de alguns. Outro desafio é a existência de uma rede de serviços assistenciais que consiga incluir e promover a pessoa, transformando-a em cidadã de direitos e possibilitando posteriormente o seu próprio caminhar.

A nossa cultura precisa mudar!

ASSISTÊNCIA SOCIAL, política publica de direitos participativa, transparente, descentralizada, informativa e esclarecedora.

 

“ A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas.”  Art. 1° LOAS—Lei Orgânica da Assistência Social

 

 

 

       

(Secretaria Municipal de Assistência Social)



Escrito por Gisa às 13h59
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"...Sob a bandeira de Lincoln, Martin Luther King foi muito profundo e
comovente. Discorreu sobre seu sonho de igualdade e de justiça, usando
pensamentos  lúcidos,  temperados  com  sensibilidade  e  irrigados  com
lágrimas. "

I HAVE A DREAM (Eu tenho um sonho)
"Eu tenho um sonho no qual um dia esta nação se erguerá e viverá à
verdadeiro significado do seu credo... que todos os homens são criados
iguais...
Eu  tenho  um  sonho  de  que  algum  dia,  nas  colinas  verme
lhas  da
Geórgia, os filhos dos escravos e os filhos dos senhores de escravos se
sentarão juntos à mesa da fraternidade. Esta é a nossa esperança...
Eu tenho um sonho! Com esta Fé, eu volto para o Sul. Com esta Fé,
arrancaremos da montanha da angústia um pedaço da esperança. Com
esta Fé, poderemos trabalhar juntos, orar juntos, ir juntos à prisão, certos
de que um dia seremos livres...
Quando deixarmos o sino da liberdade tocar em qualquer vilarejo ou
aldeia de qualquer estado, de qualquer cidade, neste dia estaremos prontos
para nos erguer. Tódos os filhos de Deus, branc()s ou negros, judeus ou
gentios, protestantes ou católicos, estarão
prontos  para  dar  as  mãos  e  cantar  aquele  velho  hino  dos  escravos:
"Finalmente livres!
Finalmente livres!
Graças ao Deus Tódo- Poderoso,
Nós somos finalmente livres. "

"... Aprendi que a disciplina sem sonhos produz servos que fazem
tudo  automaticamente.  E  os  sonhos  sem  disciplina  produzem
pessoas frustradas que não transformam os sonhos em realidade.
A respeito desse ponto, eu ainda sou uma pessoa desorganizada,
mas em relação aos meus sonhos sou disciplinado. Por
isso, quando escrevo, procuro ser - mais do que um escritor
um escultor
de idéias.
Aprendi  que  os  sonhos  transformam  a  vida  numa  grande
aventura. Eles não determinam o lugar aonde você vai chegar, mas
produzem a força necessária para arrancá-Io do lugar em que você
está.
Aprendi que ninguém é digno do pódio se não usar suas derrotas
para alcançá-Io. Ninguém é digno da sabedoria se não usar suas
lágrimas  para  cultivá-Ia.  Ninguém  terá  prazer  no  estrelato  se
desprezar a beleza das coisas simples no anonimato. Pois nelas se
escondem os segredos da felicidade. "

(Tirado do livro: "Nunca desista de seus Sonhos" - Augusto Cury)



Escrito por Gisa às 17h52
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Perdão

Anthony Strano, Discovering Spirituality, Eternety Ink, Australia, 1999

Perdoar a nós mesmos significa não fazer o mesmo erro de novo, não inventar caminhos convenientes para nos desculpar.

Mesmo o perdão e a compaixão de Deus não podem ser sentidos pela pessoa que tenha endurecido seu próprio coração contra os outros.

Se quisermos ser perdoados precisamos estar dispostos a perdoar primeiro. Acoragem de agir primeiro é o sinal daquele que é realmente justo.

Quem perdoa primeiro não só prova sua justiça mas especialmente provaseu amor.



Escrito por Gisa às 18h38
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Escrito por Gisa às 23h19
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Fernando Pessoa

  Onde você vê um obstáculo,
  alguém vê o término da viagem
  e o outro vê uma chance de crescer.
  
  Onde você vê um motivo pra se irritar,
  Alguém vê a tragédia total
  E o outro vê uma prova para sua paciência.
  
  Onde você vê a morte,
  Alguém vê o fim
  E o outro vê o começo de uma nova etapa...
  Onde você vê a fortuna,
  Alguém vê a riqueza material
  E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
  
  Onde você vê a teimosia,
  Alguém vê a ignorância,
  Um outro compreende as limitações do companheiro,
  percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
  
  E que é inútil querer apressar o passo do outro,
  a não ser que ele deseje isso.
  Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
  
  "Porque eu sou do tamanho do que vejo.
  E não do tamanho da minha altura."


Escrito por Gisa às 23h16
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ENTÃO, QUATRO DIAS ATRÁS, em um dia frio e chuvoso de março de 2002, aconteceu
uma coisinha assombrosa.
Levei Soraya, khala Jamila e Sohrab a um encontro de afegãos no parque do lago
Elizabeth, em Fremont. Finalmente, o general tinha sido convocado para assumir um
posto de ministro no Afeganistão no mês passado, e tinha viajado para lá há duas
semanas, deixando para trás o terno cinzento e o relógio de bolso. A idéia era que
khala Jamila fosse se juntar a ele dentro de alguns meses, quando já estivesse instalado.
Ela sentia muito a sua falta — e andava preocupadíssima com a saúde dele por lá —,
por isso, tínhamos insistido para que viesse passar uns tempos conosco.
Na terça-feira passada, o primeiro dia da primavera, foi o Ano-Novo afegão — o
Sawl-e-Nau —, e toda a comunidade residente na região de San Francisco planejou
comemorações, desde o lado leste até a península. Kabir, Soraya e eu tínhamos mais
uma razão para festejar: o nosso pequeno hospital de Rawalpindi tinha sido reaberto na
semana anterior. Não a unidade cirúrgica, só a clínica pediátrica, mas todos
concordávamos que já era um bom começo. O tempo andava ensolarado há alguns dias, mas, no domingo de manhã, quando
sentei na cama, ouvi as gotas de chuva batendo na vidraça. "Sorte afegã", pensei,
rindo baixinho. Fiz a namaz matinal enquanto Soraya ainda dormia — já não preciso
consultar o folheto de orações que consegui na mesquita; agora, os versículos vêm
naturalmente, sem qualquer esforço.
Chegamos lá por volta do meio-dia e encontramos um punhado de gente
abrigada debaixo de um grande plástico retangular esticado e amarrado a seis estacas
fincadas no chão. Alguém já estava fritando bolani; xícaras de chá e uma tigela de aush
com couve-flor fumegavam no fogo. De um gravador, vinha o som arranhado de uma
velha canção de Ahmad Zahir, Dei um sorriso enquanto corríamos os quatro por
aquele gramado encharcado: Soraya e eu na frente, khala Jamila no meio e Sohrab
mais atrás, com o capuz da capa de chuva amarela sacudindo em suas costas.
— Qual é a graça? — indagou Soraya cobrindo a cabeça com um jornal dobrado.
— Você pode tirar os afegãos de Paghman, mas não pode tirar Paghman dos
afegãos — disse eu.
Baixamos a cabeça para entrar naquela tenda improvisada. Soraya e  khala
Jamila foram falar com uma mulher obesa que estava fritando bolani de espinafre.
Sohrab ficou parado por um instante ali embaixo e, depois, recuou, voltando para a
chuva, com as mãos enfiadas nos bolsos da capa e o cabelo — agora castanho e liso
como o de Hassan — colado na cabeça. Parou junto de uma poça marrom-escura e
ficou olhando para ela. Ninguém pareceu reparar nele. Ninguém o chamou de volta.
Com o tempo, as perguntas sobre o menininho, sem dúvida alguma excêntrico, que
tínhamos adotado, graças a Deus cessaram, e, levando-se em conta que as perguntas
afegãs podem ser bem desprovidas de tato, isso significou um alívio considerável. As
pessoas pararam de perguntar por que ele nunca falava. Por que não brincava com as outras crianças. Mas o melhor de tudo é que pararam de sufocar a empatia exagerada, pararam de abanar lentamente a cabeça, pararam de fazer "tsc, tsc" e de dizer coisas como "Ah gung bichara", "Ah, pobre mudinho". A novidade tinha se esgotado. Como um papel de parede que desbota, Sohrab acabou se misturando ao pano de fundo.
Fui cumprimentar Kabir, um homem baixinho e grisalho. Ele me apresentou a uma dezena de indivíduos, um dos quais era professor aposentado, outro, engenheiro, um terceiro, ex-arquiteto, outro ainda, um cirurgião que tinha uma barraca de cachorro-quente em Hayward. Todos disseram que conheciam baba de Cabul e se referiram a ele em tom respeitoso. De um jeito ou de outro, meu pai tinha participado da vida deles. E acrescentaram que era muita sorte minha ter tido por pai aquele grande homem. Conversamos sobre as dificuldades e a função talvez ingrata que Karzai tinha pela frente. Falamos do Loya jirga, do Grande Conselho, que deveria se reunir em breve, e do iminente retorno do rei à sua pátria depois de vinte e oito anos de exílio. Lembrei daquela noite, em 1973, quando Zahir Shah foi deposto por seu primo; lembrei dos tiros e do céu rajado de luz prateada — Ali abraçou a mim e a Hassan, dizendo que não precisávamos ter medo, que era apenas alguém caçando patos.
Depois, um dos presentes contou uma piada do mulá Nasruddin e todos caímos na risada.
— Sabe — disse Kabir —, seu pai era também um homem engraçado.
— Era mesmo, não era? — indaguei, sorrindo, lembrando de como baba reclamava das moscas logo que chegamos aos Estados Unidos. Ficava sentado na mesa da cozinha, com o mata-moscas na mão, de olho naqueles insetos que voavam de uma parede a outra, zumbindo aqui, zumbindo ali,irrequietos e apressados. "Neste país", resmungava ele, "até as moscas correm contra o tempo". Como eu tinha rido naquela ocasião... E, agora, sorria ao me lembrar disso. Por volta das três da tarde, a chuva já tinha parado e o céu estava de um cinza gélido, coalhado de nuvens. Uma brisa fria soprava pelo parque. Apareceram mais famílias. Os afegãos se cumprimentam, se abraçam, se beijam, trocam comidas uns com os outros. Alguém acende o fogo em uma churrasqueira e logo o cheiro de alho e de morgh kabob  me chega às narinas. Havia música, algum cantor novo que não conheço, e os risos das crianças. Vi Sohrab, ainda com a capa de chuva amarela, encostado em uma caçamba de lixo, olhando para o outro lado do parque onde ficava a quadra de beisebol vazia. Pouco depois, eu estava conversando com o ex-cirurgião que me contou que ele e baba tinham sido colegas na oitava série, quando Soraya me puxou pela manga da camisa.
— Amir, olhe! — exclamou.
Ela estava apontando para o céu. Umas cinco ou seis pipas voavam bem alto, alguns retalhos de amarelo, vermelho e verde brilhante contra aquele fundo cinzento.
— Vá até lá. Veja quanto é — disse ela e, desta vez, estava apontando para um
sujeito vendendo pipas em uma barraca perto dali.
— Tome, segure aqui — disse eu, deixando com ela a minha xícara de chá. Pedi
desculpas e fui até a barraca, chapinhando pela grama molhada. Apontei para uma seh-parcha amarela.
— Sawl-e-nau mubabrak — disse o vendedor, pegando os vinte dólares e me entregando a pipa e também um carretel de madeira com tar. Agradeci,retribuindo os  seus votos de um feliz Ano-Novo. Testei a linha, daquele jeito mesmo que Hassan e eu
fazíamos, segurando-a entre o polegar e o indicador, e dando um puxão. Ela se tingiu de sangue e o vendedor sorriu. Sorri para ele também. Levei a pipa até onde Sohrab estava, ainda apoiado na caçamba de lixo, debraços cruzados, mas, agora, olhando para o céu.
— Você gosta das seh-parcha? — perguntei, segurando a pipa pelas pontas dasvaretas. Ele tirou os olhos do céu, olhou para mim, depois, para a pipa e voltou a fitar océu. Algumas gotinhas de chuva pingaram do seu cabelo e rolaram pelo seu rosto.
— Uma vez, li que, na Malásia, eles usam pipas para apanhar peixes — disse eu
— Aposto que não sabia disso. Amarram uma linha de pesca na pipa e põem ela paravoar sobre a água rasa. Assim, ela não faz sombra e não assusta os peixes. E, na Chinaantiga, os generais empinavam pipas nos campos de batalha para enviar mensagens aos seus homens. É verdade. Não estou de gozação não. — Mostrei a ele o meupolegar que sangrava. — E o tar também está legal. Com o rabo do olho, vi Soraya nos observando lá da tenda, um tanto tensa com os braços cruzados e as mãos enfiadas nas axilas. Ao contrário de mim, ela foi aos poucos desistindo de tentar cativá-lo. As perguntas sem resposta, o olhar vago, o silêncio, tudo aquilo era doloroso demais. Entrou em compasso de espera,aguardando um sinal verde por parte de Sohrab. Só esperando. Ergui o indicador, depois de lambê-lo.
— Lembro que seu pai verificava a direção do vento chutando o chão com asandália, para levantar poeira e ver para que lado ele estava soprando. Hassan conhecia um montão de truques como esse — disse eu. Baixei a mão. — Acho que é
para o oeste. Sohrab enxugou uma gota de chuva que pingava de sua orelha e passou o peso
do corpo de um pé para o outro. Não disse nada. Lembrei de Soraya me perguntando,alguns meses atrás, como era a voz dele. Disse-lhe que não me lembrava mais.
— Já lhe contei que o seu pai era o melhor caçador de pipas de Wazir Akbar
Khan? Talvez até de toda Cabul? — perguntei, amarrando a ponta do tar no laço do cabresto. — Como os meninos da vizinhança tinham inveja dele... Saía correndo atrás das pipas e nunca olhava para o céu. As pessoas diziam que ele estava perseguindo a sombra da pipa. Mas é que elas não o conheciam como eu. Seu pai não perseguia sombras coisa nenhuma. Simplesmente... sabia. Mais uma meia dúzia de pipas estava voando agora. As pessoas tinham começado a formar grupos, com as xícaras de chá na mão e os olhos pregados no céu.
— Quer me ajudar a empinar esta pipa? — perguntei.
Os olhos de Sohrab pularam da pipa para mim, e voltaram para o céu.
— Está certo — disse eu, dando de ombros. — Parece que vou ter que fazer isso tanhaii. Sozinho. Sacudi o carretel com a mão esquerda, soltando cerca de um metro de tar. A pipa amarela oscilou na extremidade da linha, pouco acima da grama molhada.
— É a sua última chance — disse eu. Mas Sohrab estava olhando para um par de pipas que tinha se emaranhado lá no alto, acima das árvores.
— Tudo bem. Lá vou eu. Saí correndo, com os meus tênis fazendo a água espirrar das poças e a mão segurando a ponta da linha acima da cabeça. Já fazia tanto tempo, tantos anos que não sabia o que era isso, que me perguntei se não estaria fazendo um papel ridículo. Deixei o carretel ir girando na mão esquerda enquanto corria; senti que a mão direita tinha se cortado novamente enquanto eu ia dando mais linha. Agora, a pipa estava subindo às minhas costas, subindorodopiando, e corri mais depressa ainda. O carretel começou a girar mais rápido e o cerol deu outro talho na palma da minha mão direita. Parei e me virei. Olhei para cima. Sorri. Lá no alto, a minha pipa estava balançando para um lado e para o outro, como um pêndulo, fazendo aquele velho som de pássaro de papel batendo as asas, som que sempre associei às manhãs de inverno em Cabul. Há vinte e cinco anos que não empinava pipas, mas, de repente, estava com doze anos outra vez e os velhos instintos vinham voltando rapidamente. Senti uma presença ao meu lado e olhei para baixo. Era Sohrab, com as mãos enfiadas nos bolsos da capa de chuva. Ele tinha vindo atrás de mim.
— Quer experimentar? — perguntei. Ele não disse nada. Mas, quando lhe estendi a linha, a sua mão veio saindo do bolso. Ele hesitou. Depois, pegou a linha. O meu coração começou a bater mais depressa e girei o carretel para recolher a linha solta. Ficamos ali, um ao lado do outro, em silêncio, com o pescoço espichado para cima. À nossa volta, crianças corriam atrás umas das outras, escorregando na grama. Agora, alguém estava tocando uma velha trilha sonora de filme indiano. Vários senhores mais idosos estavam fazendo a namaz da tarde, sobre um plástico estendido no chão. Havia um cheiro de grama molhada, de fumaça e de carne grelhada no ar. Desejei que o tempo parasse. Então, percebi que tínhamos companhia. Uma pipa verde vinha se aproximando. Segui a linha com os olhos e dei com um garoto parado a uns trinta metros de onde estávamos. Ele tinha o cabelo cortado à escovinha e usava uma camiseta onde se lia, em letras bem pretas: "The Rock Rules." Viu que eu estava olhando e sorriu. Acenou. Respondi, acenando também. Sohrab estava me devolvendo a linha.
— Tem certeza? — perguntei, apanhando-a de volta.  Ele pegou o carretel da minha mão.
— Está bem — disse eu. — Vamos lhe dar um sabagh, vamos lhe dar uma lição, não é? — Arrisquei uma olhada. Aquele olhar baço e ausente tinha desaparecido. Agora, os seus olhos se moviam rapidamente, saltando da pipa verde para a nossa. O seu rosto estava um tanto afogueado e o seu olhar tinha se tornado subitamente alerta. Esperto. Vivo. Perguntei a mim mesmo se não teria esquecido que, apesar de tudo, ele continuava a ser apenas uma criança. A pipa verde estava fazendo as suas manobras.
— Vamos esperar — disse eu. — Vamos deixar que chegue um pouco mais
perto. — Ela debicou duas vezes e veio vindo na nossa direção. — Pode vir. Pode vir
— chamei.
A pipa verde chegou ainda mais perto, agora subindo um pouco acima da nossa, sem sequer desconfiar da armadilha que eu tinha preparado para ela.
— Veja, Sohrab. Vou lhe mostrar um dos truques favoritos do seu pai, o velho tentear e debicar.
Ao meu lado, Sohrab respirava acelerado, pelo nariz. O carretel ia rolando nas suas mãos e os tendões nos seus pulsos, marcados de cicatrizes, pareciam até as cordas de um rubab. De repente, pisquei os olhos e, por um instante, as mãos que seguravam o carretel eram as mãos calejadas, de unhas lascadas do menino de lábio leporino. Ouvi o grasnido de um corvo em algum lugar e olhei para cima. O parque reluzia com
uma neve tão fresca, tão deslumbrantemente branca que os meus olhos chegaram a arder. E ela ia caindo em silêncio dos ramos das árvores vestidas de branco. Agora, havia um cheiro de qurma de nabo no ar. De amoras secas. De laranjas azedas. De serragem e de nozes. O barulhinho da neve silenciosa foi ficando mais abafado. E então, no meio daquela quietude, surgiu uma voz nos chamando de volta para casa, a voz de um homem que mancava da perna direita. A pipa verde flutuava exatamente acima de nós.
— Ela já está vindo. Vai ser agora — disse eu, olhando rapidamente para
Sohrab e para a nossa pipa. A verde hesitou. Manteve a sua posição. Depois, se abateu sobre a nossa.
— Lá vem ela! — exclamei. Fiz tudo com perfeição. Mesmo depois de todos esses anos. A velha armadilha do tentear e debicar. Soltei a pega e  dei uns puxões na linha, debicando e me esquivando da pipa verde. Com uma série de sacudidelas do meu braço, a nossa pipa
disparou, fazendo um semicírculo em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. De repente, era eu que estava por cima. Agora, a pipa verde tentava desesperadamente subir, em pânico. Só que era tarde demais. Eu já tinha lhe pregado a peça de Hassan.
Puxei com força, e a nossa pipa mergulhou. Quase pude ouvir a nossa linha cortando a dela. Quase deu para ouvir o estalinho. Então, como em um passe de mágica, a pipa verde estava girando e rodopiando no ar, fora de controle. Às nossas costas, todos aplaudiam. Foi uma explosão de palmas e assobios. Eu estava ofegante. A última vez que experimentei uma sensação tão fantástica como essa
foi naquele dia de inverno, em 1975, logo depois de ter cortado a última pipa, quando avistei baba no telhado lá de casa, batendo palmas, sorrindo radiante. Baixei os olhos para Sohrab. Um dos cantos da sua boca tinha se curvado um tantinho para cima.
Um sorriso.
De um lado só.
Que mal se notava.
Mas que estava ali. Atrás de nós, crianças saíam correndo em disparada e um monte daqueles caçadores perseguia aos gritos a pipa solta que continuava voando acima das árvores. Foi só eu piscar os olhos e o sorriso tinha desaparecido. Mas existiu. Eu vi.
— Quer que tente apanhar essa pipa para você? O seu pomo-de-adão subiu e desceu quando engoliu. O vento agitou o seu
cabelo. Pensei ter visto ele fazer que sim com a cabeça.
— Por você, faria isso mil vezes! — me ouvi dizendo. 
Virei, então, e saí correndo.
Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas não iam se ajeitar por
causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso
minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um
pássaro que alça vôo.
Mas me agarrei àquilo. Com os braços bem abertos. Porque, quando chega a
primavera, a neve vai derretendo floco a floco, e talvez eu tivesse simplesmente
testemunhado o primeiro floco que se derretia. Saí correndo. Um adulto correndo em meio a um enxame de crianças que
gritavam. Mas nem me importei. Saí correndo, com o vento batendo no rosto e um
sorriso tão grande quanto o vale do Panjsher nos lábios.
Saí correndo. "

( O Cacador de Pipas-Khaled Hosseini )

 


 
 
 
 



Escrito por Gisa às 22h41
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Mulheres no Espelho

Aos 3 anos: se olha no espelho e vê uma rainha!

Aos 8 anos: se olha no espelho e vê a cinderela ou a bela adormecida.

Aos 15 anos: se olha no espelho e se vê como a cinderela do Tchan ou a Tiazinha adormecida, ou se está na TPM vê gordura, espinhas, cabelo espigado. (Mãe, me ajuda, como é que eu vou sair com esta cara horrorosa!!)

Aos 20 anos: se olha no espelho e se vê muito magra, muito gorda, muito alta, muito baixa. Muito peito, pouca bunda, mas diz "Lari - Lara" e decide sair para trabalhar assim mesmo.

Aos 30 anos: se olha no espelho e se vê muito magra, muito gorda, muito alta, muito baixa. Muito peito, pouca bunda, cabelos brancos, mas não tem tempo para consertar tudo e sai para jantar com o marido assim mesmo.

Aos 40 anos: se olha no espelho e se vê muito magra, muito gorda, muito alta, muito baixa, muito peito, pouca bunda, cabelos brancos, cheias de rugas, mas pensa, "Vou marcar uma plástica" e vai para o casamento da filha assim mesmo.

Aos 50 anos: se olha no espelho e diz, "Estou saudável!" e sai para passar o dia com os netos.

Aos 60 anos: se olha no espelho e lembra dos amigos que nem com óculos conseguem se olhar no espelho, e vai para o nordeste numa excursão com outras sessentonas.

Aos 70 anos: se olha no espelho e vê sabedoria, paciência e bom-humor, e vai fazer um curso de história da arte.

Aos 80 anos: mais do que nunca, adora o que vê no espelho. Coloca um chapéu roxo e vai se divertir pelo mundo.



Escrito por Gisa às 21h26
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"Preciso de Alguém
Cris Passinato

Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir,
mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia,
nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu
perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias,
nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo :
" Nós ainda vamos rir muito disso tudo " e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade
Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela ."



Escrito por Gisa às 20h08
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"Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor"
Alexandre Inagaki

Todos os dias morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.

Todos os dias morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.

Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio ensurdecedor depois de uma discussão: todo crime deixa evidências.

Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, feito Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho-papão. Outros confessam sua culpa em altos brados, fazendo de penico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda com nomes paradoxais como O Amor Inteligente ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo A Paixão Tem Olhos Azuis, difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.

Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos.

Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados, e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos, definhando paulatinamente até se tornarem laranjas chupadas.

Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4ª série, ou entre fãs que ainda suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e, pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (bah, isso não é amor; amor vivido só do pescoço pra cima não é amor).

Existem, por fim, os amores-fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da TV ligada na mesa-redonda ao final do domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram - teimosos, e belos, e cegos, e intensos. Mas estes são raríssimos, e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. Mas não quero acreditar nisso.

Um dia vou colocar um anúncio, bem espalhafatoso, no jornal.

PROCURA-SE: AMOR-FÊNIX
(oferece-se generosa recompensa)



Escrito por Gisa às 19h51
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Sentir-se amado
Martha Medeiros

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."



Escrito por Gisa às 19h36
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Não importa o que é o mundo.
O importante são os seus sonhos.
Não importa o que você é.
O importante é o que você quer ser.
Não importa onde você está.
O que importa é para onde você quer ir.
Não importa o porquê.
O importante é o querer.
Não importam suas mágoas.
O importante mesmo são suas alegrias.
Não importa o que você já passou.
O passado?
Guarde na sua lembrança.
Nunca pense em julgar.
Não veja.
Apenas olhe.
Não escute.
Apenas ouça.
Não toque.
Sinta.
Acredite naquilo que quiser.
Não adianta sonhar se você não lutar...
O mundo é um espelho.
Não seja apenas um reflexo.
Só acreditando num futuro você
conseguirá a paz para alcançar seus sonhos.
Afinal, o que importa?
EU IMPORTO!



Escrito por Gisa às 17h54
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Escrito por Gisa às 12h53
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O quase

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.



Escrito por Gisa às 22h09
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A eterna busca - Mario Quintana



Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando. A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar. Mas uma coisa parece estar sempre presente: A busca pela felicidade com o amor da sua vida. Desde pequenas ficamos nos perguntando "quando será que vai chegar?" e a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida "será que é ele?". Como diz o meu pai: "nessa idade tudo é definitivo", pelo menos a gente achava que era. Cada namorado era o novo homem da sua vida. Faziam planos, escolhiam o nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e, de repente... PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar mais expectativas a respeito "do próximo". Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses. Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva. Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido, inteligente, com aquele "papo" que a deixa sentada no bar o resto da noite. Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue "imagem e ação" e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando está de short, camiseta e chinelo. A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação já não tem o mesmo valor que tinha antes. A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal, que nos complete e vice-versa. Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta...e haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira. Sem falar na diversidade que vai do Forró ao Beatles. Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer a barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som... Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você a-d-o-r-a! Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama), e que não quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!



Escrito por Gisa às 19h07
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Um relacionamento é como um jardim. Se para florescer deve ser aguado regularmente. Cuidado especial deve ser dado, levando em Conta as estações bem como qualquer mudança de tempo. Novas sementes devem ser plantadas e as ervas daninhas arrancadas. Similarmente, para manter viva a magia do amor, temos que entender suas estações e acalentar as necessidades especiais do amor.

A primavera do amor

Apaixonar-se é como a primavera. Nós nos sentimos como se fôssemos ser felizes para sempre. Não conseguimos nos imaginar não amando nosso(a) parceiro(a). É um momento de inocência. O amor parece eterno. É uma época mágica quando tudo parece perfeito e funciona sem esforço. Nosso(a) parceiro(a) parece ser o par perfeito. Dançamos juntos sem esforço, em harmonia, regozijando-nos de nossa boa sorte.

O verão do amor

Durante o verão do amor, nos damos conta de que nosso(a) parceiro(a) não é tão perfeito(a) quanto pensamos, e que temos que trabalhar o relacionamento. Nosso(a) parceiro(a) não é somente de outro planeta, mas é também um ser humano que comete erros e tem defeitos como todo o mundo. Frustração e desapontamento aumentam, ervas daninhas precisam ser arrancadas e as plantas precisam de água extra sob o sol escaldante. Não é mais tão fácil dar e receber o amor de que precisamos. Descobrimos que não estamos sempre felizes, e que nem sempre nos sentimos amorosos. Não fazemos mais uma imagem do amor. Muitos casais se tornam desiludidos a essa altura. Eles não querem trabalhar o relacionamento. Eles esperam, de maneira irreal, que seja primavera o tempo todo. Culpam seus parceiros e desistem. Não se dão conta de que o amor nem sempre é fácil; às vezes requer trabalho duro sob o sol escaldante. No verão do amor, precisamos acalentar as necessidades do nosso(a) parceiro(a) bem como pedir e receber o amor de que precisamos. Isso não acontece automaticamente.

O outono do amor

Como resultado dos cuidados com o jardim durante o verão, nós colhemos os resultados do trabalho duro. O outono chegou. É um momento dourado rico e satisfatório. Experimentamos um amor mais maduro que aceita e compreende as imperfeições doía) nosso(a) parceiro(a) bem como as nossas. É um momento de agradecer e de compartilhar. Tendo trabalhado duro durante o verão, podemos relaxar e aproveitar o amor que criamos.

O inverno do amor

Aí o tempo muda de novo, e vem o inverno. Durante os meses frios e estéreis do inverno, toda a natureza se recolhe para dentro de si mesma. É um momento de descanso, reflexão e renovação. Esse é o momento, num relacionamento, em que experimentamos nossa própria dor não resolvida ou nosso eu obscuro. É quando nossa tampa sai e nossos sentimentos dolorosos emergem. É um momento para crescimento solitário quando precisamos cuidar mais de nós mesmos do que dosas) nossos(as) parceiros(as) por amor e satisfação. É o momento para cura. Esse é o momento em que os homens hibernam nas suas cavernas e as mulheres mergulham no fundo dos seus poços. Depois de nos amarmos e curarmos ao longo do inverno escuro do amor, então a primavera inevitavelmente retorna. De novo somos abençoados com os sentimentos de esperança, amor e uma abundância de possibilidades. Baseados numa cura interna e numa investigação da alma na nossa jornada invernal; nós somos então capazes de abrir nossoscorações e de sentir a primavera do amor.

 

(Homens São de Marte e Mulheres São de Vênus - John Gray)



Escrito por Gisa às 22h16
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